Thursday, December 01, 2005

Um plano perfeito

Num desses muitos quiosques da praia de Copacabana, numa dessas muitas tardes do verão carioca, um desses muitos casais com cara de colegas de trabalho em hora de almoço conversava, animadamente, um desses muitos assuntos corriqueiros que estamos acostumados a ouvir:
– Então, achou bom?
– Não sei, Augusto, não sei...
– Mas como assim não sabe? É perfeito, veja bem – o homem parecia entusiasmado, subitamente invadido por uma corrente de pensamentos brilhantes, ou assim o achava –, primeiro, eu chego mais cedo na sua casa. Vou com seu carro, para ninguém suspeitar de um estranho chegando no prédio, assim, sem mais nem menos. Daí, subo, uso minha cópia da chave e me escondo debaixo da cama, aí...
– Debaixo da cama, Augusto? Dá pra, pelo menos, parecer que você não é um idiota e sabe o que está fazendo? – Ela, por sua vez, parecia mais nervosa, apreensiva. Olhava para os lados, visivelmente preocupada.
– Calma, Helena, calma! Eu sei o que estou fazendo. Tenha paciência, me escute, certo?
– Ta bem, ta bem. Mas pelo amor de Deus, não se esconde embaixo da cama, a minha cama é alta, vai dar pra ver você quando eu e Aroldo estivermos chegando.
– Claro, claro. A cama não, obviamente. Er... Certo, então? Acompanhe minha linha de pensamento: depois que eu entrar, me escondo no seu quarto, NÃO EMBAIXO DA CAMA... – ela assentiu com a cabeça, parecendo mais calma – de repente no armário, ou na varanda, sei lá, na hora eu penso. O importante é que você vai chegar com o otário, digo, o Aroldo – ele quase não conseguia conter os risos. Ela, ainda um pouco nervosa, sufocava um sorriso maroto nos lábios – e vai mandar ele esperar na cama enquanto você toma uma ducha. Daí eu entro, rendo ele e ameaço matar você pra ele dizer a senha do cofre. Ele fica com medo, abre o cofre. Pronto, daí “bang”, ele morre, e a gente embarca para Paris. Faltou alguma coisa?
– Não, tudo certo. Tudo certo... – Helena esfregava as mãos no rosto. Estava receosa, preocupada, mas, sobretudo, tinha medo que Augusto fizesse alguma de suas idiotices e estragasse o plano que vinham tramando há meses – Não tem como dar errado, certo? Eu chego, vou pro banho, você aparece, rende a gente, ele abre o cofre, você atira, a gente vai embora. Ok?
– Claro, certo. Não disse? É perfeito. Relaxe, meu bem, porque amanhã estaremos em Paris, fazendo compras e falando com biquinho, igual a cabeleireiro delicado do Lido.
– Mas Augusto, e nossas malas? Você tem que fazê-las com antecedência!
– Meu bem, malas pra quê? Com quinze milhões de “doletas” a gente compra toda roupa que precisar lá em Paris. Dá até pra comprar aquelas malas marrons que você tanto quer, pra guardar as roupas. Aquelas, do “putão”...
Vutton, meu bem. Louis Vutton. É francês, é chique.
– Eu sei, “meu bem”, e a gente vai ser chique também – ele deixa uns trocados em cima da mesa e levanta, olhando para o mar – é só aquele bundão do seu marido fazer o que eu mandar hoje de noite.
Eles se beijam, apaixonados, e vão embora.

9 comments:

mara said...

Só vc Fa...O melhor é a "mala marrom". Amei
bjinho

Revisora Desesperada said...

CADÊ O RESTO???

Cosentino said...

vai vir amanhã

Revisora Abandonada... said...

Promessas...

Chyna said...

CADE O RESTO,SUPLICA UM LEITOR APREENSIVO!!!

ziza said...

Legal... :)

mara said...

Vc não vai escrever mais??? Absurdo...olha só: PQP,PQP,PQP.
bjinho

Pedro said...

coe cao
cade o resto ?????
porra!!!!!

lennytaft6177315314 said...

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