Estou sumido há um tempo. Vou deixar mais um aqui, para as traças digitais.
Esses dias, uma amiga que acabou de completar quarenta abriu uma carta que escreveu para sí mesma há exatos vinte e dois anos atrás, quando completava dezoito. Achei legal, queria ter pensado em fazer isso. Se bobear, fiz e perdi o diabo da carta. Mas aí, lembrei que fiz algo que quebra um galho. Esse texto foi escrito na escola, no meu segundo ano de ensino médio, no ano dois mil. Na época, acredito que tinha dezesseis (dependendo do mês, já que não está datado). É bem auto-explicativo. Tive que cortar umas partes e umas expressões erradas, além de consertar a pontuação, para ficar publicável. Anda assim valem umas risadas frustradas.
"Só é livre quem tem sonhos. E é da matéria deles que se deveria medir um homem. Os feitos, falas e tralhas interpretam errado muito fácil. O sonho, não, é perpétuo e só seu. E ninguém mais entende.
Se eu puder escolher, quero ser um grande. Empresário, escritor, guitarrista ou jogador, não tenho preferência. Se estiver no panteão, tô feliz. É para falarem de mim bastante, mais mal do que bem, e não porque unanimidade é chata, mas só porque é mais divertido incomodar que ser incomodado.
Dinheiro não é tudo, mas foda-se, eu quero, e sobrando. Mas só para me permitir o que eu quero mais (...). Dinheiro não deveria comprar dinheiro, é só um meio e não passa de papel ou número na tela.
Sexo é legal. Que eu tenha mil ou só algumas (não me incomodo se forem mil), mas que eu seja criativo. (...) Importante é que eu me mantenha são. E que nunca toquem no meu rabo, que ele seja via de mão única e inalterável. Trânsito aqui, só pra ir embora.
Que eu seja humilde como minha mãe quer, tão bonito como ela acha que eu sou, inteligente como meu pai diz e tenha a barriga do meu avô. Espero que o meu sadismo não me tire o foco, que minhas crises de riso na hora errada diminuam, que meu nariz e orelhas não fiquem enormes e que o Brasil seja Penta.
Que eu tenha um Playstation 2, uma coleção de Stratocasters (com uma de cada ano significativo) e um violão Martin igual ao do Eric Clapton. Que meu primeiro milhão chegue antes dos vinte e três. Que meu primeiro bilhão eu guarde antes dos trinta. (...) Quero fazer um gol de bicicleta no Maracanã, uma cesta de gancho no Madison Square Garden e um field goal no estádio do Broncos. Queria beber meia garrafa de 51, pura, sem ficar bêbado. (...) Quero que meu filho seja melhor que eu em tudo que eu faço, o que vai ser bem difícil. De novo, quero ser humilde".
1 comments:
O tempo nos torna sábio para quem pode nos ouvir e chato para quem nos inveja,reticente para quem não nos alcança e não tem condições de acompanhar, pró-lixo para que não consegue ler... e não o sabe, Mas uma coisa é certa; como é bom pode olhar para trás e se orgulhar de seus filhos... olhar para frente e os admirar... para o futuro sonhar com as crias que lhe vão dar...
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